Classificação VIA de Forças de Caráter
Peterson, C. & Seligman, M. E. P. · 2004
Também conhecida como: VIA-IS · Character Strengths
A Classificação Values in Action (VIA) identifica 24 forças de caráter organizadas sob seis virtudes amplas: sabedoria, coragem, humanidade, justiça, temperança e transcendência. Desenvolvida como a contraparte da psicologia positiva ao DSM, resultou de um projeto de três anos envolvendo 55 cientistas sociais que revisaram escritos filosóficos, religiosos e psicológicos abrangendo 2.500 anos. O VIA Survey já foi respondido por milhões de pessoas em todo o mundo, e pesquisas ligam consistentemente forças como esperança, vitalidade, gratidão, amor e curiosidade à satisfação com a vida.
Classificação de 24 forças de caráter organizadas em 6 virtudes centrais, desenvolvida como contraparte da psicologia positiva às taxonomias clínicas diagnósticas.
- Fonte:
- Peterson, C., & Seligman, M. E. P. (2004). Character Strengths and Virtues: A Handbook and Classification.
Contexto Histórico
A Classificação VIA surgiu da fundação da psicologia positiva como disciplina formal por Martin Seligman em 2000, ao lado de Mihaly Csikszentmihalyi. Seligman e Christopher Peterson lideraram uma revisão sistemática de tradições de virtude na filosofia, na teologia e na psicologia ao longo de 2.500 anos para identificar forças de caráter valorizadas universalmente. O manual de 2004 'Character Strengths and Virtues' foi explicitamente concebido como uma contraparte positiva da classificação de transtornos mentais do DSM, deslocando a atenção científica dos déficits para as forças.
Construtos
Apreciação da Beleza
A força de caráter de notar e se deixar tocar pela beleza e pela excelência — na natureza, na arte e no desempenho habilidoso (Peterson & Seligman, 2004). Descreve ser interrompido por algo bem feito, não gosto ou conhecimento sobre arte.
Capacidade de Amar
A força de caráter de valorizar relações próximas e ser capaz tanto de dar quanto de receber afeto e cuidado (Peterson & Seligman, 2004). O lado de receber costuma ser a metade mais difícil: aceitar cuidado significa deixar que outra pessoa importe tanto assim.
Pertencimento e Trabalho em Equipe
A força de caráter da lealdade a um grupo e de fazer a própria parte em algo coletivo (Peterson & Seligman, 2004). Não é sociabilidade — aparece com frequência em pessoas que não gostam de festas — e uma pontuação baixa pode significar independência, não distância.
Curiosidade
A força de caráter de se interessar pela experiência em curso por ela mesma — a amplitude do apetite pelo novo (Peterson & Seligman, 2004). Fica perto do amor pelo aprendizado sem ser a mesma coisa: a curiosidade abre a porta, o amor pelo aprendizado mantém a pessoa na sala.
Equidade
A força de caráter de tratar todas as pessoas da mesma forma segundo noções de justiça e equidade, sem deixar sentimentos pessoais enviesarem decisões sobre os outros (Peterson & Seligman, 2004). Seu teste real é a consistência sob pressão: se as regras se dobram para quem se gosta ou não se gosta.
Perdão
A força de caráter de perdoar quem errou e dar segundas chances (Peterson & Seligman, 2004). Trata do que acontece depois de ser ferido: se a conta se fecha ou permanece aberta.
Gratidão
A força de caráter de ter consciência das coisas boas que acontecem e ser grato por elas (Peterson & Seligman, 2004). É um hábito de notar, não um humor, e é uma das forças que tendem a se mover com a prática.
Esperança
A força de caráter de esperar o melhor do futuro e trabalhar para alcançá-lo (Peterson & Seligman, 2004). É expectativa, não alegria: uma previsão-padrão que pende para o favorável, em oposição a ensaiar o desfecho ruim.
Humor
A força de caráter de gostar de rir e de levar sorrisos às outras pessoas — produzir leveza, não apenas apreciá-la (Peterson & Seligman, 2004). Sua expressão mais clara é produzi-la quando as coisas estão sombrias.
Perseverança
A força de caráter de terminar o que se começa e persistir num curso de ação apesar dos obstáculos (Peterson & Seligman, 2004). É a força com mais chance de ser elogiada pelos outros e menos chance de ser apreciada por quem a tem.
Integridade
A força de caráter de dizer a verdade e se apresentar de maneira genuína (Peterson & Seligman, 2004). Seu conteúdo real é o caso caro: manter a palavra, e a verdade, quando isso custa algo.
Discernimento
A força de caráter de pensar bem as coisas, examiná-las por todos os lados e pesar as evidências antes de decidir (Peterson & Seligman, 2004). É deliberação, não inteligência: a disposição de desacelerar e procurar o outro lado de propósito.
Gentileza
A força de caráter de fazer favores e boas ações pelos outros como disposição, e não como transação (Peterson & Seligman, 2004). O que separa as duas é a paciência com os problemas alheios e a gentileza que não faz contabilidade.
Liderança
A força de caráter de encorajar um grupo a fazer as coisas acontecerem mantendo boas relações dentro dele (Peterson & Seligman, 2004). Trata de fazer um grupo funcionar, não de autoridade nem de estar à frente.
Amor pelo Aprendizado
A força de caráter de dominar novas habilidades, temas e corpos de conhecimento por eles mesmos, fora de qualquer exigência (Peterson & Seligman, 2004). Difere da curiosidade na duração: a curiosidade abre a porta, esta força mantém a pessoa na sala.
Modéstia
A força de caráter de deixar que as próprias realizações falem por si (Peterson & Seligman, 2004). Não é baixa autoestima: a questão é se as realizações precisam de plateia, e uma pontuação baixa não é arrogância — algumas pessoas simplesmente gostam de ser vistas.
Originalidade
A força de caráter de pensar em maneiras novas e produtivas de fazer as coisas (Peterson & Seligman, 2004). É apetite por fazer diferente, não talento artístico; contentar-se com o método que já funciona é uma preferência, não um déficit.
Sabedoria
A força de caráter de saber dar conselhos sábios e de ver o mundo de um jeito que faz sentido para si e para os outros (Peterson & Seligman, 2004). É em grande parte confirmada de fora — pelo fato de as pessoas levarem ou não suas perguntas difíceis àquela pessoa.
Prudência
A força de caráter de ser cuidadoso com as próprias escolhas e considerar as consequências antes de agir (Peterson & Seligman, 2004). Pontuação baixa não é descuido: gostar de risco é uma preferência, não uma falha em perceber que ele existe.
Autocontrole
A força de caráter de regular o que se sente e o que se faz — disciplina sobre apetites e impulsos, e a capacidade de abrir mão de um prazer presente por um bem futuro (Peterson & Seligman, 2004). É a força que as pessoas mais frequentemente gostariam que fosse maior.
Inteligência Social
A força de caráter de perceber os motivos e sentimentos das outras pessoas e saber o que dizer e fazer nas situações sociais (Peterson & Seligman, 2004). É a leitura, não o que se faz com ela — não é o mesmo que calor humano e não precisa ser usada com bondade.
Espiritualidade
A força de caráter de sustentar crenças coerentes sobre um propósito maior e o sentido da vida (Peterson & Seligman, 2004). É deliberadamente ampla, cobrindo tanto a crença religiosa quanto um senso secular de propósito; uma pontuação baixa descreve uma visão de mundo, não uma deficiência nela.
Coragem
A força de caráter de não recuar diante de ameaça, desafio ou dificuldade, e de se posicionar pelo que é certo mesmo quando custa (Peterson & Seligman, 2004). O preço é o que a separa de simplesmente ter opiniões.
Vitalidade
A força de caráter de abordar a vida com entusiasmo e energia — sentir-se vivo e ativado (Peterson & Seligman, 2004). É a força mais ligada ao estado físico, então uma leitura baixa merece ser interpretada junto com sono, saúde e os últimos meses, e não como traço fixo.
Instrumentos
- IPIP-VIA-R(IPIP-VIA-R)Bluemke, Partsch, Saucier & Lechner2021
Testes baseados nesta teoria
Aplicações Práticas
A Classificação VIA é amplamente usada em coaching, terapia e educação para ajudar indivíduos a identificar e utilizar suas forças de assinatura em prol de maior bem-estar e desempenho. Intervenções baseadas em forças mostraram efeitos significativos sobre o bem-estar e a redução da depressão em populações clínicas e não clínicas. O referencial também é aplicado no desenvolvimento organizacional, em programas de orientação escolar e em intervenções de saúde comunitária em diversos contextos culturais.
Como É Medida
As 24 forças foram identificadas por meio de revisão de especialistas em tradições filosóficas, religiosas e psicológicas, e não por análise fatorial empírica, o que explica em parte a incompatibilidade entre a estrutura teórica de seis virtudes e as soluções fatoriais empíricas.
Críticas e Limitações
A crítica mais persistente diz respeito à estrutura fatorial: embora as 24 forças sejam mapeadas em seis virtudes, análises fatoriais empíricas normalmente recuperam de três a cinco fatores, e não a estrutura proposta de seis virtudes, o que enfraquece a fundamentação teórica. O VIA Survey tem sido criticado pela redação idiomática dos itens, que ameaça a traduzibilidade transcultural e contribui para resultados fatoriais inconsistentes entre adaptações linguísticas. Diversas forças -- como vitalidade, inteligência social, justiça, esperança e humor -- apresentam cargas fatoriais relativamente baixas ou difusas, levantando dúvidas sobre sua distinção como construtos separados.
Publicações Principais
- Peterson, C. & Seligman, M. E. P.. (2004). Character Strengths and Virtues: A Handbook and Classification.
- Park, N., Peterson, C., & Seligman, M. E. P.. (2004). Strengths of Character and Well-Being. 10.1521/jscp.23.5.603.50748
- Niemiec, R. M.. (2013). VIA Character Strengths: Research and Practice (The First 10 Years). 10.1007/978-94-007-4611-4_2
- McGrath, R. E.. (2015). Character Strengths in 75 Nations: An Update. 10.1080/17439760.2014.888580
- Seligman, M. E. P. & Csikszentmihalyi, M.. (2000). Positive Psychology: An Introduction. 10.1037/0003-066X.55.1.5